Minha amiga Sonia tinha decidido dar um tempo nas noites da cidade de Vitória onde mora, a capital capixaba. Já não agüentava mais as cantadas baratas da rapaziada, completamente sem imaginação, sem educação, sem gentileza. Mas abriu mão da solidão temporária, para acompanhar a irmã numa saidinha. Caprichou na beleza, já que era pra ser.
Chegaram ao primeiro bar, lotado, barulhento, com cheiro de vários perfumes baratos e outros da Avon, e um monte de funcionários da Vale uniformizados, ainda. Cruzes! Tinha gente até com crachá. É o hábito, ou será moda? Facilita a identificação nas noites.
Mal se sentaram à mesa, encosta um ‘tipo’ que estica o pescoço para apreciá-las. Sonia pede mandioca frita com carne de sol. O garçom chega com o prato. O ‘tipo’ ao lado estica o pescoço: “credo! Coisa de pobre!” diz sobre o prato, já mais colado ainda na mesa vizinha. As meninas olham de lado. O ‘tipo’ olha Sonia e lança uma pérola: “você é bonitinha. Tá bem conservada para a sua idade. Já fez plástica?”. Essa foi dura! O silencio perdura. E o ‘tipo’ dá o golpe mortal: “quer ir lá pra casa, prá gente conversar melhor?”.
Sonia sai desiludida, mais uma paradinha e outro ‘cara’. “Do you speak english?”. Esse pelo menos pode ser até deselegante, mas eu não sei inglês mesmo, pensou. Então tá…