À beira do cais bêbados e mulheres
Rebelam-se contra o mar.
O mar calmo.
O navio na escuridão não deixa a alma marear.
Os bêbados dançam e cantam para as almas do navio:
Iludidas, abandonadas.
As mulheres pensam em acalentar as almas do navio:
Sonhadoras, solitárias.
As luzes do navio se acendem, surgem as almas.
Não mais solitárias não mais abandonadas.
As almas do navio se aproximam e fazem na noite,
À beira do cais, o reduto do amor.
Os bêbados cantam de alegria pelas almas do navio.
Agora são almas amadas, desejadas.
Assim será até o próximo porto.
A cena se repetirá.
Solidão não existirá.
O navio só passará. Seu amor é o mar.
As almas aguardam.
O cais, um tempo e uma vez.

Carminha Corrêa Jecko

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