A outra mulher, a outra oração,
A outra menção. Sim, a outra opção.
Ser outra, ou outro. Estar em outra.
É, quem sabe viver no espaço!
Espaço alheio, talvez?

Rezar, para quê? Imaginar, viajar,
Navegar, retornar ao passado,
Lembrar de quem orou?
Rezar – ah! – para o futuro,
Opção de estar em outra.

Ser a outra amada, querida, desejada,
Culpada e, enfim, condenada.
Ser outra pessoa, voltar ao passado:
Ser Mozart, Monet,
Van Gogh, ser a Carmem de outro Bizet,
Ser Molière.

Ah, ser outra, ser outro, aqui ou ali,
Hoje ou ontem.
Outra amada ou odiada, que importa.
Ser Maria ou Josefina,
Uma gera o filho
Outra dá o pão.

Outro Luís, Jesus, Baltazar, quem sabe
Gaspar? Reis, imperadores, gentis homens.
Magos de muitas magias

Multiplicam o pão, distribuem brioches,
Ou seguem a estrela que brilha.
Ao final todos querem encontrar algum outro,
O ouro que brilha
Alguma imagem refletida pela luz do luar,
No espelho da água.

O outro pode estar no seu olhar.
(C. Corrêa)

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