Paris em crônicas


Nos trilhos Da janela do trem vejo passar as nuvens, os passaros, os animais perdidos nas florestas. Passam almas viscosas e transparentes. A vida de hoje corre sobre os trilhos a uma velocidade de dois mil anos...até à outra parada.

A proxima vez No cais as baldiações nos levam a muitos lugares. O trem corre rapido, e as cores que os olhos registram se misturam deixando indefinidos os sintomas da natureza: as margaridas não são mais que pontos brancos; as flores roxas se tornam lilazes; no céu as nuvens riscadas pela passagem dos aviões em disputa na corrida pela Luz. O homem sentado, em pé, deitado, sò percebe o tempo em linha reta, enjôa nas curvas, nas descidas e nas subidas. A sua Alma se ressente de momentos de Paz e de tranquilidade. Vai aguardar a proxima volta, o retorno depois da subida.

Paris, 23/05/17

Rosto Os 'oculos, ah, esses, servem para disfarçar o olhar, longe. Os làbios serrados, e nem mesmo um sorriso. O jovem de longa testa e cabelos lançados para o lado direito, tenta pensar em algo melhor, fecha os olhos, repousa as mãos, abre e fecha novamente os olhos...tenta deixar fluir os pensamentos que vão leva-lo a algum ponto, ou a lugar algum.Ah, pouco importa! Hoje é feriado cristão e, melhor, é em nada pensar, nem mesmo ler um livro que pode ter muitas pàginas e muitas letras. Melhor deixar o sol queimar a pele e levar os pensamentos.

Na estação Os olhos redondos e negros como a cor da pele que cobre o seu pequenino corpo. A menina que desembarcou hà pouco no mundo e nessa estação, a tudo olha, quer entender onde se encontra e o que veio aqui fazer, ao lado dessa gente estranha multicor, vestidas estranhamente e cada uma tentando cuidar de sua vida, ou tagarelando feito loucas. A criança/espirito é calma. Ela me olha fixamente hà dez minutos, insistentemente, um olhar longo e profundo: serà que me conhece? Insisto então com um sorriso, mas ela não se deixa vencer pela seriedade, e nada de sorriso, nada de alegria, apenas o olhar basta!

Aff! Calor, aff! Gente, aff! Frio, aff! Multidão, aff! Metro cheio, greve, o bêbado, o imigrante, o pedinte, esses turistas...aff! C'est Paris, assim é Paris e os seus moradores. Aff!

Ai que sono Deu uma vontade de dormir, que venha o sono, mas esse sono santificado, abençoado. Desses que nos fazem dormir oito horas, sem acordar nem mesmo para um pequeno xixi. Um sono que deixa o corpo santo repousado e descansado. Sono para dormir e acordar, aqui... ou do outro lado? Bom, que venha o sono.

Dar-ser Ainda é tempo, dar um tempo, viver o tempo...antes da partida.

Reencarnação Chega a hora, o momento, eu chego, eu fico, estou, eu vou, mas eu volto, pois ainda não terminei o programa de vida evoluida. Quantas vezes ainda vamos nos repetir? Ah, não sei!

Somos ou estamos Somos migrantes ou imigrantes, vamos ou voltamos? Aqui, ali, acolà. O que fazer para aprender e viver e viver sem se apegar? Ir, ver, sentir,estar, crescer, melhorar, engordar, emagrecer, estar homem ou estar mulher, aqui e agora, estar de partida, estar voltando. Somos irmãos? ou estamos nessa nave?

Paris, 25/05/17 ( desculpe os leitores, mas o computador em que escrevo num tem os acentos necessarios do português, no retorno ao Brasil acertamos, mas queria logo publicar. Grata).

Carminha Corrêa

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