A Vida é um milagre I

(Pra Ana Paula e filhos alheios)

 

De um minúsculo grão, o Ser é germinado a partir de uma atitude meio insana de um homem e uma mulher que se colam estranhamente, e se penetram mais estranhamente ainda. Daí você fica germinando dentro de um minúsculo espaço, e como um contorcionista faz crescer braços, pernas, cabeça, pés, mãos, faz bater um coração...tum tum tum e se mexe daqui e dali provocando tufos na área externa desse ovo, coisa engraçada até.  Por mais um milagre da natureza – normalmente deveria ser assim – você desabrocha e encontra um minúsculo túnel, que por mais um milagre da natureza se abre grandemente e deixa você escorregar -  quando alguém não envia umas grandes mãos nesse túnel para te resgatar -  e você vem dar o ar da graça. Claro que, por mais um milagre da natureza você respira e grita, berra, esperneia, quer voltar para o aquele minúsculo lugar quentinho e bem protegido do sol, da chuva, do frio, onde alguém comeu e bebeu por você, te protegeu. Ah! Como é bom esse ovo do milagre!

 

Você, deixa a casa milagrosa – nesse caso uma mulher - em êxtase e apesar das dores e dos empurra, empurra, alegra a todos que te cercam. Olha é uma menina, olha é um menino, dizem assim que o contorcionista esperneia. Ah, coisa sem graça essas máquinas moderna que revelam as partes íntimas e acabam por tirar a surpresa, porque até então você poderia ser Luiz ou Luiza, Paulo ou Paula. Só facilitam na hora da escolha das cores para as vestimentas que vão aquecer o contorcionista. Bom, mas tá certo que essas máquinas verificam a cabeça, tronco e membros e se antecipam a alguns fatos. Enfim, vamos para os outros fatos.

 

Nossa é a cara do pai, não da mãe, não parece com ninguém ainda, está toda inchada, vamos esperar mais uns nove meses para descobrir se lembra alguém da família. E você fica lá, relaxando dessa viagem nada fácil, de uma ínfima semente se transformou numa criatura de uns 47 centímetros e quase três quilos – nossa! – e lembra do ovo anterior onde vira, revira, se contorce, quer se esticar e não ter espaço...ah! agora sim, tem um ovo maior, fofinho, branquinho e amarelo, e um monte de gente ao entorno fazendo cara de bilú bilú, rindo, fazendo biquinho, e você de olhos inchados nem aí para o que se passa. “Ai, tô cansada, mas é engraçado esse monte de gente fazendo coisas estranhas para me alegrar, ensaia um movimento nos lábios e que todos pensam ser um sorriso e logo ficam alegres, surpresos”.

 

E a vida é um milagre. Não passa muito – e todos os dias sendo alimentado e recebendo carinhos – você decida que precisa caminhar pelas suas próprias pernas e ameaça arrastar pelo chão o seu corpo, feito cobra, minhoca, tatuíra, esses bichos assim, e logo vira um homo sapiens, levanta o corpo e anda, como se uma varinha mágica tivesse ti tocado ou um Deus tivesse dito: ‘e se fez o mundo’. Nossa, como é bom ser independente andar para um lado e outro, alegrando e deixando todos doido porque você parece um coelho que se desembesta a correr em vez de dar passos. “Mas é a vontade de logo ter a minha liberdade”, pensa tu. Com razão, penso eu.

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