As quatro nobres verdades

 

Os países vivem se armando, coisa que vem de longa existência. O mundo está bem municiado, com armas, equipamentos, transportes modernos, de alta tecnologia e de logo alcance para proteger, dizem, as Nações e os povos.

Hoje, 29 março do ano de 2020, nenhuma dessas armas é capaz de destruir o inimigo invisível que está aterrorizando o planeta, e matando milhares de pessoas, atormentando outros milhões e milhões de seres humanos que se encontram ainda vivos em suas ‘Terras”. Gente morrendo pela doença e tantos outros pela fome.

Quanto dinheiro gasto para enfrentar um poderoso inimigo jogado fora! Sim, pois o inimigo feroz, que balança as estruturas dos mais ‘poderosos e gananciosos seres do poder’ está se mostrando imbatível, capaz de arrasar, arrastar multidões para um cemitério ou um forno crematório. E eles, o puro poder, usam máscaras, que escondem a perplexidade e a impotência.

Nos damos conta de que a dor e o sofrimento é de todos, aliás sempre foi.  Nenhum de nós está escapando dessas experiências de dor e sofrimento: brancos, negros, adultos, crianças, idosos, ricos, pobres.

Nos damos conta de como somos seres frágeis, quando um microscópico vírus é capaz de nos matar e, pior, nos afastar uns dos outros. Nos colocar à deriva num mar aberto, trancafiados em casa como elefantes, leões, pássaros e macacos de florestas, dominados pelas mãos dos homens. Hoje, dá para sentir na pele o que os nossos irmãos menores, os animais, se sentem enjaulados, cerceados no de viver, e de ir e vir, quando não, assassinados. Que lição!

Nos tornamos iguais, mais do que nunca, quando não tínhamos consciência! Um mundo de silêncio, agora não apenas e somente na África ou na Síria, no Nepal, em Madagascar. Somos todos miseráveis a mercê de um inimigo que dizima não importa quem. Silêncio mortal!

Mas o Universo é benevolente, e oferece aos habitantes desse mundo a oportunidade de se reconstruir, de se elevar à condição de um SER HUMANO, capaz de amar e respeitar a si mesmo, como ao próximo.

Essa big embarcação, chamada Terra é o abrigo dos seres humanos, e hoje nos damos conta de que temos que cuidar melhor desse barco para que possamos viver seguros.

As Nobres Verdades

Não é de hoje que uma população de filósofos religiosos budistas conhecem, estudam e difundem um dos mais importantes ensinamentos do mestre Buda Shakyamuni, o fundador do budismo que viveu entre os anos 500 e 600 a.C. Fala sobre as Quatro Nobres Verdades, simples como deve ser a vida:

1ª Verdade – A natureza do sofrimento – nascer, envelhecer, morrer, doenças, dor, angústia, apego, todos representam a base do sofrimento.

2ª Verdade – A origem do sofrimento – tem na base o desejo de ter, a cobiça, o prazer a qualquer preço, o desejo de ser e existir; o desejo de subjugar;

3ª Verdade – A cessação do sofrimento – vem a ser a cessação dos desejos, o abandono e a renúncia e a libertação desses desejos, a independência de todas as formas de desejo;

4ª O caminho para a cessação do sofrimento – a cessação passa pela compreensão e prática do caminho óctuplo, ou seja, mudança de comportamento: entendimento correto, pensamento correto, linguagem e ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena e concentração corretos.

O 14º Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, que vive na Índia, depois de ter sido perseguido e expulso do Tibet pelo Governo da China há mais de 60 anos,  nos explica: “Todos os seres sencientes – humanos entre eles – almejam a felicidade e querem se afastar do sofrimento. Tanto a felicidade como o sofrimento dependem da lei de causa e efeito”.

Voltamos ao início desse artigo, quanto a compreensão dos ensinamentos nos indica que vivemos buscando o sofrimento, em detrimento de vivermos na felicidade. O ser humano quer a felicidade, mas vive no sofrimento, acreditando que os desejos materiais irão compensar ou superar os espirituais. E cria uma capa, fortalezas, armas, imaginando que serão suficientes para proteger a si e aos seus, até que um minúsculo inimigo invisível a olho nu ataca deixando todos os SERES em perplexidade.

Quando entendemos as quatro nobres verdades, vamos perceber a realidade, a de que tudo existe e tudo passa,  poderemos, quem sabe, adquirir confiança em nós mesmos, lembrando e praticando o ensinamento do ame ao próximo com a ti mesmo, não querendo para ele o que não gostaria para ti. 

Que as nossas mentes se abram para um novo mundo em que o Ser Humano será mais importante do que uma arma letal, ou um vírus surgido ou criado nas entranhas da vida.

 

Maria Jecko

29/03/2020

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16.04.2020

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