O Amor e a Compaixão

21.06.2020

 Gampopa   - 1079 - 1153

 

           “Como meditar sobre o amor”

 

“Meditamos sobre o amor, apoiando‐nos no sentimento de gratidão. Pensamos na bondade dos outros. A pessoa que, nesta vida, manifestou‐nos a maior benevolência foi nossa mãe. É ela que nos concebeu que esforçou‐se por nós, cuidou de nós e educou‐nos.

Conforme aparece na Prajnaparamita em oito mil instâncias: “Por quê? Porque nossa mãe concebeu‐nos, esforçou‐se muito, permitiu‐nos continuar vivos e demonstrou‐nos o que era necessário saber neste mundo.”

  1. A bondade de ter‐nos dado a vida; nosso corpo não surgiu repentinamente com seu tamanho definitivo, seus músculos bem formados e sua tez perfeita. Começando pelos estados de geleia mole e de geleia mais firme, pouco a pouco ele foi se formando no ventre de nossa mãe, retirando a substância de sua carne e de seu sangue. Desenvolveu‐se, absorvendo a quintessência de seu alimento. E pôde constituir‐se, infligindo em nossa mãe todo tipo de opróbrios, doenças e dores. Uma vez nascidos, aí então éramos mais mesquinhos ainda, ela cuidou de nós até que estivéssemos grandes e fortes.

  2. A bondade de ter se dedicado a nós. Não chegamos vestidos e paramentados, de posse de toda nossa herança e víveres. Além de nossa boca para berrar e nosso ventre vazio, não possuíamos absolutamente nada. Desembarcamos em um lugar desconhecido onde todo mundo nos era estranho. Então, alimentando‐nos ela aplacou nossa fome e dando‐nos de beber saciou nossa sede. Ela nos vestiu para nos proteger do frio e doou‐nos seus bens para que não ficássemos completamente desprovidos. Isto não quer dizer que uma mãe dá ao seu filho aquilo que ela não necessita. Ao contrário, ela se priva de comer, de beber, de guardar e utilizar o que quer que seja para dar‐lhe conforto em sua vida presente, ou mesmo realizando oferendas para que se torne rico em sua vida seguinte. Na verdade, ela cria seu filho sem preocupar‐se com sua própria felicidade presente nem com sua felicidade em suas vidas futuras.  Isto não quer dizer tampouco que aquilo que dá ao seu filho ela o obteve facilmente e com prazer. Ao contrário, ela o obteve a custas de ações negativas, de sofrimentos e de cansaços de todo tipo. Ela comete atos negativos quando, para alimentar seu filho, pesca ou caça. Ela sofre quando tem que realizar negócios ou trabalhar nos campos, quando, noite e dia, a geada lhe serve de calçado e as estrelas de chapéu; quando ela tem como montaria apenas suas pernas e como único chicote a fita de suas tranças; quando ela dá aos cães a carne de sua perna e aos homens a carne de seu rosto. E tudo isso, por causa de seu filho. Mais ainda, ela cuida de um estranho que ela não sabe nem de onde veio nem o que se tornará e demonstra‐lhe muito mais amor que aos seres benevolentes como seu pai, sua mãe ou seu amigo de bem. Ela o contempla com afeição, o envolve com calor, afaga‐o com os dedos e dirige‐lhe palavras ternas: ʺMeu pequeno! Meu tesouro! Como mamãe é feliz! ʺ 

Gampopa,” O Precioso Ornamento da Libertaçãoʺ. Professor de budismo tibetano e médico. Fonte: www.kalu.org.br

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