Em Paris, o silêncio!


No metrô de Paris


Há uns nove anos, estava em Paris, final de ano. Tinha ido ao Palácio de Tokio que fica na avenida du Président Wilson, ver uma exposição. Ao retornar me dirigi ao metro, estação Alma Marceau. Horário de pico. Enquanto aguardava assisti a uma cena desagradavelmente inusitada pela falta de respeito e educação. Todos em pé, ao meu lado uma senhora de uns 80 anos, certamente parisiense, elegantemente vestida, porém com simplicidade e um chapéu para aquecer a cabeça. Era inverno. Do outro lado dela, um grupo de uns três jovens, uma moça entre eles, fumavam, barbarizavam, falavam alto, e cuspiam no chão. Favam uma língua diferente, de algum canto do Leste Europeu. A senhorinha, então, dirige-se a eles para dizer que era proibido fumar ali na estação. Falaram entre eles algo que não entendemos, e um deles que fumava deu uma longa tragada e lançou a fumaça no rosto da senhora, enquanto os colegas riam, debochavam. A senhora imóvel, eu assustada, e outros viam a cena com cara de paisagem. O trem chega enquanto a fumaça se dissipa no ar fétido do tabaco ordinário, e eles entram no vagão, fumando e, ainda, barbarizando gritando, gargalhadas enquanto encaravam as pessoas no vagão. Desceram poucas estações depois. E o clima no vagão, com novos passageiros, permanecia o mesmo. Silêncio!

Pensei comigo mesma: a falta que faz a educação familiar e escolar, em qualquer canto do mundo, faz falta. A globalização, com esses sete bilhões de pessoas, nos coloca frente a frente com a realidade mundial onde o respeito, a compaixão, o amor, a generosidade, são processos importantes. O respeito, sobretudo, é fundamental.

Eu vivia com o marido na cidade de Muhouse, a 500 km de Paris.

Hoje, vejo o lockdow, a Paris vazia, sem seres humanos, educados ou não, respeitosos e desrespeitosos, sem gente, fato que os mais antigos sequer imaginariam despois da invasão alemã na Segunda Guerra. Uma Paris, parece, sem dono, à mercê de um vírus, um inimigo que não respeita, sem educação, sem compaixão, sem amor, e que mata quantos forem e quiserem enfrentá-lo frente a frente. Essa Paris que viveu ameaçada de ser explodida pelos nazistas, e sobreviveu. Essa Paris de tantos sonhos e desejos, hoje é só silêncio e ameaças do inimigo invisível.

Vai passar. Para quem já viu tantos horrores, Paris, aguenta mais um pouco, vai passar! Sob o céu infinito azul de Paris, tudo passa.

C. Jecko

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